Atualmente
as lesões da coluna cervical devem ser abordadas por equipe
multidisciplinar envolvendo diferentes especialidades médicas
e não médicas, tais como ortopedistas, neurocirurgiões,
neurologistas, urologistas, fisiatras, clínicos gerais, fisioterapeutas,
enfermeiros e psicólogos. Evidentemente, essas lesões
terão esta abordagem dependendo de sua gravidade.
A medula espinhal cervical possui a maior mobilidade da coluna vertebral
e, desta forma, é o segmento mais frequentemente lesado.
O exame físico deve abordar três componentes essenciais:
avaliação motora, sensitiva e dos reflexos, permitindo
obter dados para a localização topográfica e
diagnóstico sindrômico.
O exame complementar inicial do paciente com suspeita de fratura na
coluna cervical deve ser através de radiografias simples, que
é método disponível, rápido, sem necessidade
de mobilização excessiva. Devem ser feitas incidências
de rotina, aplicando aquelas especiais após visualização
de lesões em regiões específicas. Observar sempre
que toda coluna cervical deve ser vista na radiografia em perfil.
A coluna cervical tem importantes diferenças anatômicas
entre suas duas primeiras vértebras e as demais, sendo diferenciada
em coluna cervical alta e baixa, respectivamente.
Fraturas do côndilo occipital: Geralmente acometem indivíduos
mais jovens, seguidos de acidentes automobilísticos ou em prática
esportiva. Seu tratamento é conservador, em sua grande maioria,
com evolução favorável, se não houverem
lesões associadas.
Luxações occipito – C1: Lesões extremamente
graves, com sobrevida excepcional.
Fraturas do Atlas: Produzidas por forças de compressão
axial da cabeça sobre o pescoço. Várias formas
de fraturas podem ser encontradas dependendo da energia do trauma
e da posição da cabeça. O tratamento depende
do grau e tipo da fratura.



Fraturas do Odontóide: O Odontóide é uma eminência
vertical, superior ao corpo de C2, que compõe uma espécie
de eixo cilíndrico. Existem três tipos básicos,
dependendo de sua localização. A forma de tratamento
pode ser cirúrgica na hipótese de desvio ou instabilidade
visível.
Fraturas do pedículo do Áxis: Conhecidas como fratura
do enforcado. Também resultante de traumas de grande energia.
Vários tipos também podem ser vistos, sendo sua gravidade
dependente do tipo e mecanismo da lesão. Em sua maioria são
lesões benignas, consolidando bem com o tratamento conservador.
Fraturas da coluna cervical baixa: 80% dos traumatizados tem menos
que 40 anos. São lesões de alta taxa de mortalidade,
podendo ter acometimento neurológico em até 50% das
vezes. Cerca de 10% dos lesados medulares apresentam piora do quadro
devido a negligência no transporte. As maiores causas são
os acidentes automobilísticos, desportivos, mergulho em água
rasa e ferimentos por arma de fogo. O tratamento dependerá
da localização e gravidade do quadro.

