PRINCIPAIS PATOLOGIAS DA COLUNA


Hérnia de disco lombar (lombalgia)

Hérnia de Disco Lombar (HDL) é o deslocamento do disco intervertebral de sua posição habitual, o que pode levar a compressão de estruturas nervosas, causando dor lombar e irradiação em membros inferiores. Constitui a principal causa de dor (severa, recorrente ou crônica) acometendo a região lombar e os membros inferiores.
O disco intervertebral localiza-se entre os corpos vertebrais de duas vértebras adjacentes, onde atua como um “amortecedor” absorvendo impactos e como uma articulação permitindo movimentos entre as vértebras.
O disco é composto por três partes: o núcleo pulposo (1) que é o centro semigelatinoso responsável pela absorção de impactos; o ânulo fibroso (2) uma estrutura fibrosa circular de contenção do núcleo pulposo que resiste a forças laterais decorrentes da compressão do núcleo e a placa terminal cartilaginosa (3) que é uma estrutura que recobre as vértebras adjacentes atuando como barreira entre estas e o núcleo pulposo.

A: Raiz nervosa comprimida.
B: Núcleo pulposo herniado.
C: Ânulo fibroso rompido.

Acredita-se que durante a vida o núcleo pulposo torna-se degenerado e ressecado, perdendo sua capacidade de absorver impactos e conseqüentemente sobrecarregando o ânulo fibroso, causando fissuras (que por si só podem causar dor lombar) e o seu próprio enfraquecimento. Quando o limite da resistência do ânulo é alcançado (o que pode acontecer durante um esforço físico) ocorre a sua ruptura e o deslocamento do núcleo pulposo para o interior do canal espinhal, podendo causar compressão da raiz nervosa.

Anatomia do disco lombar

O pico de incidência situa-se entre 30 e 50 anos, período em que o núcleo pulposo habitualmente ainda preserva pelo menos parte de sua elasticidade e o ânulo fibroso já demonstra sinais de enfraquecimento. Após esta idade a desidratação e a rigidez discal diminuem a probabilidade de seu deslocamento.
Na região lombar os níveis mais acometidos situam-se entre a 5ª vértebra e o sacro (L5-S1) e entre a 4ª e a 5ª vértebras (L4-L5) em mais de 90% dos casos, o que causará a chamada dor ciática, pois nesta região encontra-se a origem do nervo ciático. Esta compressão pode causar, além da dor, déficit de sensibilidade (dormência), perda de movimentos por fraqueza dos músculos inervados por este nervo e raramente um quadro mais grave de perda de controle de esfíncteres (urinário e fecal).
O diagnóstico de hérnia de disco é feito principalmente pela história clínica e pelo exame físico do paciente. O uso de exames complementares (Radiografias Simples, Tomografia Computadorizada ou Ressonância Magnética) deve ser avaliado caso a caso como auxílio no diagnóstico ou programação do tratamento.

O tratamento conservador (não-cirúrgico) inclui medidas de repouso, modificação das atividades diárias, uso de medicações (analgésicos, antiinflamatórios e relaxantes musculares), fisioterapia e bloqueios (infiltração), mostrando-se eficaz em cerca de 60 a 70% dos casos. Deve, portanto, ser tentado em todos os pacientes, exceto naqueles em que a compressão nervosa é tão intensa que pode causar déficits irreversíveis e a cirurgia se torna imperativa. Naqueles em que o tratamento conservador não evidencia resultados satisfatórios após um período de 4 a 8 semanas também está indicado o tratamento cirúrgico.

Hérnia de Disco

Fragmentos de hérnia de disco lombar ressecados cirurgicamente

Dissectomia percutânea

Dentre as alternativas cirúrgicas, o tratamento clássico de discectomia (com ou sem o uso de microscópio) ainda é a principal escolha. É realizado sob anestesia geral ou peridural por uma pequena incisão na região lombar. A alta hospitalar ocorre, em geral, no dia sequinte ao procedimento. Métodos recentes (chamados minimamente invasivos) estão em fase de investigação e são reservados para casos selecionados.

 
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